domingo, 13 de março de 2022

ORÍKÌ ÈSÙ ALAAJE

 



ÈSÙ  ALAAJE

Èsù alaaje na wa o, Èsù alaaje o. Èsù alaaje na wa ko mi o ire owo, Èsù alaaje o.

Ba mi wa iyàwo o, Èsù alaaje o. Ma je orí mi o baje o, Èsù alaaje o.

Ma je ile mi o daru, Èsù alaaje o.ire gbogbo 

 Ase.

ORÍKÌ   ÈSÙ  ALAAJE

Esta é uma boa sorte, o Mensageiro Divino que traz o dinheiro, Ele traz boa sorte,

Traga-me uma companheira, Esu alaaje. Não estrague minha boa sorte, Esu alaaje

Não traga ruptura para minha casa, Esu alaaje traga-me toda a sorte

 Asé





EXU

Laroyê!

Exu é o mais sutil e o mais astuto de todos os orixás. 

Ele aproveita-se de suas qualidades para provocar mal-entendidos e discussões entre as pessoas ou para preparar-lhes armadilhas. 

Ele pode fazer coisas extraordinárias como, por exemplo, carregar, numa peneira, o óleo que comprou no mercado, sem que este óleo se derrame desse estranho recipiente! 

Exu pode ter matado um pássaro ontem, com uma pedra que jogou hoje! 

Se zanga-se, ele sapateia uma pedra na floresta, e esta pedra põe-se a sangrar! 

Sua cabeça é pontuda e afiada como a lâmina de uma faca. 

Ele nada pode transportar sobre ela. 

Exu pode também ser muito malvado, se as pessoa se esquecem de homenageá-lo. 

É necessário, pois, fazer sempre oferendas a Exu, antes de qualquer outro orixá. 

A segunda-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. 

É bom fazer-lhe oferendas neste dia, de farofa, azeite de dendê, cachaça e um galo preto.


Certa vez, dois amigos de infância, que jamais discutiam, esqueceram-se, numa segunda-feira, de fazer-lhe as oferendas devidas. 

Foram para o campo trabalhar, cada um na sua roça. As terras eram vizinhas, separadas apenas por um estreito canteiro. Exu, zangado pela negligência dos dois amigos, decidiu preparar-lhes um golpe à sua maneira. Ele colocou sobre a cabeça um boné pontudo que era branco do lado direito e vermelho do lado esquerdo. 

Depois, seguiu o canteiro, chegando à altura dos dois trabalhadores amigos e, muito educadamente, cumprimentou -os: "Bom trabalho, meus amigos!" Estes, gentilmente, responderam-lhe: "Bom passeio, nobre estrangeiro!" Assim que Exu afastou-se, o homem que trabalhava no campo à direita, falou para o seu companheiro: "Quem pode ser este personagem de boné branco?" "Seu chapéu era vermelho", respondeu o homem do campo à esquerda. "Não, ele era branco, de um branco de alabastro, o mais belo branco que existe! " "Ele era vermelho, um vermelho escarlate, de fulgor insustentável!" "Ele era branco, tratas-me de mentiroso?" "Ele era vermelho, ou pensas que sou cego?"

Cada um dos amigos tinha razão e estava furioso da desconfiança do outro. Irritados, eles agarraram-se e começaram a bater-se até matarem-se a golpes de enxada. Exu estava vingado! Isto não teria acontecido se as oferendas a Exu não tivessem sido negligenciadas. Pois Exu pode ser o mais benevolente dos orixás se é tratado com consideração e generosidade. 

Há uma maneira hábil de obter um favor de Exu. É preparar-lhe um golpe mais astuto que-aqueles que ele mesmo prepara. Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca. Seus campos estavam áridos, a chuva não caía. As rãs choravam de tanta sede e os rios estavam cobertos de folhas mortas, caídas das árvores. Nenhum orixá invocado escutou suas queixas e gemidos. 

Aluman decidiu, então, oferecer a Exu grandes pedaços de carne de bode. Exu comeu com apetite desta excelente oferenda. Só que Aluman havia temperado a carne com um molho muito apimentado. Exu teve sede. Uma sede tão grande que toda a água de todas as jarras que ele tinha em casa, e que tinham, em suas casas, os vizinhos, não foi suficiente para matar sua sede! Exu foi à torneira da chuva e abriu-a sem pena. A chuva caiu. Ela caiu de dia, ela caiu de noite. Ela caiu no dia seguinte e no dia de depois, sem parar. 

Os campos de Aluman tomaram-se verdes. Todos os vizinhos de Aluman cantaram sua glória: ”Joro, jara, joro Aluman, Dono dos dendezeiros, cujos cachos são abundantes! Joro, jara, joro Aluman, Dono dos campos de milho, cujas espigas são pesadas! Joro, jara, joro Aluman, Dono dos campos de feijão, inhame e mandioca! Joro, jara, joro Aluman! ” E as rãzinhas gargarejavam e coaxavam, e o rio corria velozmente para não transbordar! Aluman, reconhecido, ofereceu a Exu carne de bode com o tempero no ponto certo da pimenta. Havia chovido bastante. Mais, seria desastroso! Pois, em todas as coisas, o demais é inimigo do bom.


FONTE:

VERGER,  Pierre Fatumbi. Lendas africanas dos orixás. 4.ed. Salvador: Corrupio, 1997.




IYÌN FUN ÈṢÙ



 

Saudação: Láaróyè! Èṣù láaróyè!

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Yangi kisa sú

   Èṣù Agbá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Onibode kisa sú

   Èṣù Igbá Ketá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Òkòtó kisa sú

   Èṣù Obá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Odàrà kisa sú

   Èṣù Ojiṣé kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Ẹlẹ́rú kisa sú

   Èṣù Enú Gbáríjọ kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Elebárà kisa sú

   Èṣù Bará kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Ọlọná kisa sú

   Èṣù Ọlọbé kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Elebọ́ kisa sú

   Èṣù Àlàfíà kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Odoso kisa sú

   Èṣù Oritá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsù Akesán kisa sú

   Èsù Ijelu kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bó

   Èṣù Iná kisa sú

   Èṣù Oná kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Ajonán kisa sú

   Èṣù Lalú kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Igbàràbó kisa sú

   Èṣù Tìrírì kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Foki kisa sú

   Èṣù Lajiki kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Sijidi kisa sú

   Èṣù Langiri kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Alé kisa sú

   Èsù Alaketu kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

    Èsù Oro kisa sú

    Èsù Topá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsù Aríjídì kisa sú

   Èsù Asaná(n) kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsù Loke kisa sú

   Èsù Ijedé kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsù Jiná(n) kisa sú

   Èsù Jiná(n) kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsú Jeresúy kisa sú

   Èsù Igi Irókò kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́



Tradução:


Coro:

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

Adoramos Èsù que é bravo.

Èsù é braço e rico.


Chamadas:

Èṣù Yangi kisa sú

Èṣù Agbá kisa sú

Èsù (...) semeia prodígio.

Èsù (...) semeia prodígio.




Saudação: Láaróyè ! Èṣù láaróyè!



Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Èṣù láaróyè, Èṣù láaróyè

     Iyìn o, iyìn o Èsù n má gbọ̀ o

Èṣù (falar o nome do Èṣù)

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Èsù ọ̀ta òrìṣà

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Oṣètùrá ni l’orukọ bàbá mọ́ ọ́

Alágogo ijà l’orukọ íyá npẹ́ o

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Èṣù Ọ̀dàrà, ọmọkùnrin Idọ́lófin

O lé sónsó sóri ori esẹ̀ ẹlẹ́sẹ̀

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

 Kọ̀ jẹ́ kọ́ jẹ́ ki ẹni njẹ́ gbẹ e mi

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

A kìì lówó lái mu ti Èṣù kúrò

A kìì láyọ̀ lái mu ti Èṣù Kúrò

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

Aṣòntún ṣe òsì làì ní ìtìjú

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

Èsù ápáta somo olómo lénu

O fi okúta dipò iyó

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

Lóògemo òrun a nla kálu

Pàápa-wàrá, a túká máṣe ṣà

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

Èṣù máṣe mi, omo elómiran ni o sé

Èṣù máse, Èṣù máse, Èṣù máse

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o


Èṣù escute o meu louvor!

     Èṣù escute o meu louvor!

Èṣù escute o meu louvor!

     Èṣù escute o meu louvor!

Salve Èṣù! Salve Èṣù!

     Èṣù escute o meu louvor!

Èṣù (falar o nome do Èṣù)

     Èṣù escute o meu louvor!

Èṣù, o primeiro entre os orixás

     Èṣù escute o meu louvor!

Oṣètùrá é o nome pelo qual é chamado pelo pai

Alágogo é o nome pelo qual é chamado pela mãe

     Èṣù escute o meu louvor!

Èṣù bondoso, filho da cidade de Idólófin

De cabeça pontiaguda, está sempre na retaguarda

     Èṣù escute o meu louvor!

Não come e também não permite que comamos

     Èṣù escute o meu louvor!

Quem tem riqueza deve reservar a parte de Èṣù

Quem tem felicidade deve reservar a parte de Èṣù

     Èṣù escute o meu louvor!

Ele fica dos dois lados sem constrangimento

     Èṣù escute o meu louvor!

Montanha de pedra que faz o filho falar o que não quer

Aquele que usa pedra em lugar de sal

     Èṣù escute o meu louvor!

Filho do céu cuja grandeza está em todos os lugares

Aquele que fragmenta o que não se pode nuca mais unir

     Èṣù escute o meu louvor!

Èsù não me faça mal, faça ao filho do outro

Èsù não me faça mal, não me faça mão, não me faça mal

     Èṣù escute o meu louvou!




quinta-feira, 3 de março de 2022

Demonização de Exu

 




Na África na época da colonização europeia, ainda no século XVI, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos colonizadores, devido ao seu estilo irreverente, brincalhão e à forma como é representado no culto africano. 

Por ser provocador, indecente, astucioso e sensual, é comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um equívoco, de acordo com a construção teológica iorubá, posto que não está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do mal.
Mesmo porque, nessa religião, não existem diabos ou entidades encarregadas única e exclusivamente de coisas ruins, como ocorre no cristianismo, segundo o qual tudo o que acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso por Deus. Na mitologia iorubá, porém, assim como no candomblé, cada uma das Divindades (Orixás) tem sua porção positiva e negativa assim como o próprio ser humano.
Desde a época das primeiras traduções inglesas de palavras iorubá em meados do século XIX, Èṣù foi traduzido como "diabo" ou "satã".
 O primeiro exemplo conhecido disso veio do "Vocabulary of the Yoruba" de Samuel Ajayi Crowther (1842), onde suas entradas para "Satanás" e "Diabo" tinham Exu em inglês. Dicionários subsequentes ao longo dos anos seguiram o exemplo, permeando a cultura popular e as sociedades iorubá também. Ultimamente, muitas campanhas online foram criadas para protestar contra isso, e muitos ativistas trabalharam para corrigi-lo.
 Também houve um grande número de trabalhos acadêmicos examinando o erro de tradução.[19][20] A tradução no Google Tradutor assumiu os mesmos erros de tradução anteriores. Isso levou a uma série de campanhas on-line[21] até 2016, quando o linguista e escritor nigeriano Kola Tubosun, então funcionário do Google, mudou pela primeira vez para conotações menos depreciativas. Quando as alterações foram revertidas, ele as alterou novamente em 2019.
 A tradução de Èṣù para o inglês agora permanece "Èṣù", enquanto "diabo" e "satan" são traduzidos para "bìlísì" e "sàtánì", respectivamente.
"Sobre Exu, além de suas atribuições mais conhecidas, embrenhamo-nos em uma de suas mais complexas e poderosas qualidades – como O Guardião do Axé – que, recebendo a réplica desta força neutra de Olodumarê (Fálàdé, 1998, p. 494), coloca-a à disposição de todos, seja para os homens ou para os orixás, confirmando que Exu de mal ...., nada tem ...,mas ao contrário, apenas age com justiça.
Suas ações para com os seres humanos são altamente benéficas, auxiliadoras e produtivas para aqueles que fazem uso adequado de seu livre-arbítrio e que, com retidão, se portam de maneira condigna para com os princípios e padrões morais e religiosos, seja em relação a si mesmo, seja em relação ao meio ambiente em que vive.
Recordando uma frase citada: "(...) Isto acontece por que algumas pessoas erroneamente possuem a convicção que Eṣu é o opositor Satanás (Fálàdé, 1998, p. 493)" e que, além disso, o que faz com que os sacerdotes sejam bons ou maus não é o simples fato de administrar o Axé, e sim a forma que deliberadamente usam este Axé, podemos dizer que isto é uma questão humana de caráter, e nada tem a ver com o poder divino do Axé. O que podemos dizer de Exu, que recebeu e administra a cópia do próprio Àṣẹ de Olódùmarè? Exu é igualmente neutro como o próprio Axé, por isso é o guardião do Axé.
Como Odará recebe, como Elebará, faz acontecer, e como Ojixé (Òjíṣé). conduz o retorno. Tudo isso é "Exu – Olodumarê assim determinou." (Abimbola, 1975, p. 3). 
Será que ele é tão terrível e mau quanto querem dele fazer? Como ele pode ser tão temível se é tão neutro como o Axé? Quando narramos o Odù Iwori-Ofun (Bascom, 1969, pp. 310-311), vimos que simplesmente Exu cumpriu seus desígnios de forma imparcial.
As explanações aqui realizada efetivamente enalteceram Exu, porém, cabe tecer algumas considerações sobre a absurda questão, mesmo por sincretismo, de que o Exu seja o diabo das religiões cristãs e/ou o mal absoluto tratado pelas religiões ocidentais, que diferem totalmente dos conceitos da religião dos orixás (orixaísmo) (Barretti Fº, 2010), praticada na chamada Iorubalândia e nas descendentes da diáspora.
Que fique registrado que a religião dos prixás, praticada em qualquer parte do mundo, independentemente do nome regional adotado, respeita, mas não reconhece a Bíblia como uma de suas diretrizes sagradas, tampouco o Alcorão e a Torá. Para os orixaístas, trata-se apenas de livros religiosos, assim como tantos outros.
O orixaísmo oriundo da tradição oral, portanto ágrafa, apesar de já contar com muitos escritos, reconhece apenas a "oralidade" dos Itã-Odu, os Itã-Mimo- Oxá (Ìtán-Mimó Òòṣà; histórias sagradas dos orixás) como o único "livro ou fala sagrada" a serem adotadas e que também reconhece os ditames do corpo "literário" do oráculo de Ifá, os Odu Ifá, cujo governo pertence à divindade Orumilá, portador de imensa sabedoria e conhecido como Ibiqueji Olodumarê (Ibìkejì Olódùmarè; a segunda pessoa de Olodumarê).

Conceitos religiosos europeus e asiáticos não faziam parte das tradições iorubás antes das colonizações, nem das religiões dela descendentes na diáspora, tampouco antes dos senhores de escravos imporem aos africanos o catolicismo, entre outras religiões.

As formas deturpadas, aculturadas e sincréticas que impuseram e continuam a se impor à religião, nos dias de hoje, foram e ainda o são, os maus frutos decorrentes do processo da escravatura nas Américas e das colonizações europeias impostas a povos africanos. (Conferir em: "Os Clérigos Nativos Yorùbá.")

Conceitos cristãos como os de alma, céu, inferno e purgatório encontraram terreno fértil para se propagar nas já contaminadas tradições iorubás e de suas descendentes, seja por missionários, seja por agentes governamentais e seja por autores pertencentes a outras culturas e/ou crenças que registraram as tradições, os costumes e religião dos iorubás, escritos e interpretados pela ótica do colonizador e/ou opressor. 

E o pior, os registros decorrentes dessas interpretações (que até hoje continuam) criaram "falsas" tradições, que se tornaram "verdades literárias inquestionáveis" e vitimam a religião iorubá até hoje. (Conferir em: Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu – Os Autores)
Um fato muito importante e que deveria ser totalmente condenável é que sempre que se estuda ou se faz pesquisa no campo das religiões comparadas, os parâmetros e os referenciais são sempre os do cristianismo, islamismo e outras religiões aplicados à religião tradicional dos iorubás. 

A recíproca, infelizmente, nunca é verdadeira, pois, se assim o fosse, teríamos inúmeras e novas variáveis a serem avaliadas, para o bem da religião tradicional iorubá e de suas descendentes." (Barretti Fº, 2010, pp. 132-133)




Bibliografia

«African intellectual heritage». Por Molefi K. Asante, Abu Shardow Abarry Publicado por Temple University Press, 1996 ISBN 1-56639-403-1

«Notas sobre o culto aos orixás e voduns na Bahia de Todos os Santos e na antiga costa dos escravos na África». Por Pierre Verger Publicado por EdUSP, 1999 ISBN 85-314-0475-4

«Africa Por Phyllis Martin, Patrick O'Meara». Publicado por Indiana University Press, 1995 ISBN 0-253-20984-6

«Eleggua-Eshu em Cuba»

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Os 16 Atributos de Esú e o Ifá

 


Neste post procuraremos falar um pouco sobre os 16 atributos de Esu (Exú), atributos estes que se relacionam com os 16 
Baba Odús do Ifá.

Mas antes, gostaríamos de esclarecer que Esu (Exú) é o Grande Agente Cósmico Universal, é o Agente da Magia Universal. É Exú que, juntamente com os 07 Aráshas (Orixás) Ancestrais, trataram da criação do Universo Astral – Reino Natural. Os Exús são os concretizadores das ideações dos 07 Aráshas.

Quando do surgimento do Universo Astral e do Reino Natural foi necessário, então, organizar toda esta matéria que era caótica. Por isso dizemos que a “ordem” se assenta no “caos”. E é Esu que promove esta organização, dentre várias de suas outras importantíssimas funções das quais trataremos em futura publicação.

Iniciemos, pois apresentando os 16 atributos de Esu, mas antes…

Mo ju iba, Esu Oba Baba awon ESU! Iba se, o!

Saudações, Esu Senhor e Pai de todos os Esus! Que esta homenagem se cumpra!

Eis, agora, os 16 títulos ou atributos e suas correspondentes “qualidades”, os quais sempre foram ligados aos 16 ODU dos Itan Ifá:


01- ESU YANGI – o Senhor da Laterita Vermelha

02- ESU AGBA – o Senhor Ancestral

03- ESU IGBA KETA – o Senhor da Terceira Cabaça

04- ESU OKOTO – o Senhor do Caracol

05- ESU OBA BABA ESU – o Rei e Pai de todos os ESUS

06- ESU ODARA – o Senhor da Felicidade

07- ESU OSIJE – o Mensageiro Divino

08- ESU ELERU – o Senhor da Obrigação Ritual

09- ESU ENU GBARIJO – o Senhor da Boca Coletiva

10- ESU ELEGBARA – o Senhor do Poder Mágico

11- ESU BARA – o Senhor do Corpo

12- ESU L’ONAN – o Senhor dos Caminhos

13- ESU OL’OBE – o Senhor da Faca

14- ESU EL’EBO – o Senhor das Oferendas

15- ESU ALAFIA – o Senhor da Satisfação Pessoal

16- ESU ODUSO – o Vigia dos Odús

ESU YANGI é a sua primeira forma e lhe confere a qualidade de IMOLE ou “Divindade”, pois nos Ritos da Criação, segundo o Credo Iorubá:

“O ar e as águas moveram-se conjuntamente e uma parte deles mesmos transformou-se em lama. Dessa lama originou-se uma bolha ou montículo, a primeira matéria dotada de forma, um rochedo avermelhado e lamacento.

Olorun admirou esta forma e soprou sobre o montículo, insuflando-lhe Seu Hálito e lhe deu vida. Esta forma, a primeira dotada de existência individual, um rochedo de Laterita, era ESU YANGI.”

Esu, portanto, foi criado diretamente por Olorun, não da prórpia e primordial matéria divina, da qual Ele já criara Obatalá e Oduduwa, o Casal Divino, mas da matéria que iria formar toda a existência genérica subseqüente a EERUPE (lama) da qual seria criada toda a Humanidade.

Um dos assentamentos de Esu Yangi é uma pedra de laterita vermelha enfiada no solo.

Imole Esu é o primeiro Ser criado da Existência genérica, por isso também chamado de Esu Agbá (Exú Ancestral).

Os ORISIRISI ESU prosseguem contando como IMOLE ESU logo se descontrolou começando a devorar toda a existência. Posteriormente, Esu fora obrigado por Orunmilá a vomitar tudo de volta. Entretanto, Esu devolveu tudo em maior quantidade, muito melhor do que quando o ingerira. Esu devolveu tudo renovado.

Deste modo, Esu foi picado em milhares de pedaços pela espada de Orunmilá, transformando-se no “Mais Um” ou o “Um multiplicado pelo Infinito”, no ESU OKOTO (Esu do Caracol).

Como ESU YANGI também se multiplicou infinitamente, se tornado no símbolo da restituição e da recomposição, tornou-se ele próprio no Oba Baba Esu (Rei e Pai de todos os Esu).

Os outros atributos iremos percebendo-os conforme se dá o processo de criação segundo os ESE ITAN IFÁ, onde trata do Imole Osetuwa.

QUANDO os Imole vieram à Terra, apesar de fazerem tudo o que Olorun lhes ensinara para que a vida fosse Odara (Feliz), sobreveio na Terra todos os tipos de desgraças, inclusive uma prolongada seca.

Diante disso, os Imole se reuniram e decidiram que deveriam enviar alguém sábio à presença de Olorun para buscar a solução para os problemas que afligiam a Terra.

Deste modo, ORUNMILÁ, o Orixá da Divinação Sagrada, partiu nessa missão e data daí o fato de que ele passou a ser um dos três IMOLE que podem apresentar-se perante OLORUN e suportar-Lhe o esplendor. Ao lhe ser permitido facear OLORUN, ORUNMILÁ ouviu Dele que a razão para todas as desgraças que assolavam a Terra estava no fato de que eles, os IMOLE, não haviam convidado para morar no ODE AIYE, ou seja, a “moradia dos IMOLE na Terra”, ao Ser que se constituía no décimo sétimo dentre eles. Quando assim o fizessem, tudo voltaria a frutificar!

E foi assim que ORUNMILÁ tornou-se o “Arauto de OLORUN” para a ligação dos dois mundos, o Orun e o Aiye.

Retornando ao Aiye, Orunmilá iniciou a busca pelo “Décimo Sétimo”, o qual deveria ser convidado a morar com eles, no entanto, após várias tentativas infrutíferas, todos decidiram que a poderosa feiticeira Osum (Oxum) deveria conceber um filho de OSO (O Senhor do Poder Mágico). Esse filho receberia ainda no ventre materno o Ase (Axé) de todos os Imole por imposição conjunta das mãos para que se tornasse o Mensageiro das oferendas dos Imole acabando, assim, com as desgraças da Terra.

Assim, o filho do “Feitiço com o Poder Mágico” foi chamado de Osetuwa, este Orixá Gerado passou a tentar cumprir seu destino, mas não obteve sucesso.

Certo dia Osetuwa lembrou-se de Esu Odara (Exú da Felicidade) e, assim, procurou-o e pediu-lhe ajuda para levar as oferendas dos Imole a Olurun. Esu Odara disse que por esse gesto, hoje o Orun lhe abriria as portas.

Osetuwa e Esu Odara seguiram rumo aos portões do Orun, lá adentrando, pois as suas portas já se encontravam abertas. Deste Modo, Osetuwa conseguiu entregar as oferendas dos Imole a Olorun que as aceitou, pois vieram através de Esu. Olorun deu a Osetuwa todo o necessário à sobrevivência do mundo.

Em seguida, Osetuwa voltou ao Aiye e tudo frutificou novamente! Os Imoles lhe agradeceram com presentes e o celebraram como o único dentre eles que conseguira levar as Oferendas ao Orun, no entanto, Osetuwa levou todos os presentes que recebera ao Esu Odara.

Quando os deu a Esu Odara, o mesmo disse:

“Você, OSETUWA, todos os sacrifícios que eles fizerem sobre a Terra, se não os entregarem primeiro a você para que você os possa trazer a mim, farei com que as Oferendas não sejam aceitas!”

E foi assim que OSETUWA tornou-se um poderoso Akin Oso ou “Manipulador do Poder”, duplamente por seu nascimento e pela confirmação de IMOLE ESU ODARA, por ter mostrado a todos os IMOLE que ESU era realmente o OSIJE ou “Mensageiro Divino” e que também tinha o poder de aceitar ou recusar os sacrifícios rituais porque era o verdadeiro Eleru ou “Senhor da Obrigação Ritual”.

A partir daí, todos os Imole decidiram dar ao Imole Esu um pedaço de suas próprias bocas a fim de que ele pudesse falar por todos quando fosse perante Olorun. Imole Esu uniu todos esses pedaços em sua própria boca e tornou-se Enu G’barijo (Boca Coletiva) de todos os Imole.

Como retribuição de Esu aos Imole, cada um deles possui ao seu lado o Esu Okoto e, por delegação espontânea dos Imoles Esu tornou-se Elegbara (O Senhor do Poder Mágico).

Por isso, todos os seres que vivem no Aiye possuem seu Olori (Senhor do Ori, Senhor da Cabeça) e seu Elebara (Senhor do Corpo).

Esu, por ser, então o mensageiro Divino, O Senhor do Carrego Ritual prescrito por Orunmilá é também L’Onan (O Senhor dos Caminhos). Sendo também o Ol’Obé (O Senhor da Faca).

Estão ai resumidamente apresentados os 16 atributos de Seu que se relacionam com os 16 Baba Odús do Ifá, quais sejam:

 1. Èjìogbè                               2. Òyèkúméjì

 3. Ìwòrìméjì                             4. Ìdíméji

 5. Ìrosùnméjì                            6. Òwónrínméjì

 7. Òbàràméjì                            8. Òkànrànméjì

 9. Ògúndáméjì                          10. Òsáméjì

11. Ìkáméjì                                12. Òtùrùpónméjì

13. Òtúráméjì                            14. Ìretèméjì

15. Òséméjì                               16. Òfúnméjì

Percebemos, assim, a importância de Esu…

Dentro do Oráculo todos os caminhos que se apresentam estão também relacionados a um aspecto de Esu. Por isso, não relacionaremos aqui os 16 atributos de Esu com os 16 Baba Odús, ficando isso por conta de cada um. Gostaríamos de esclarecer que o Oráculo é vivo, dinâmico e não estático, daí a importância de sua ‘correta’ interpretação. A busca por esse entendimento, por essa correta tradução passa pela mediunidade, sendo imprescindível a sua manutenção e desenvolvimento. É a mediunidade que traz a Tradição Viva do Astral até nós, no presente caso, através do Oráculo e seus caminhos.

O Sacerdote busca promover no Omo Awo (Filho do Segredo – O Aprendiz) esse desenvolvimento mediúnico para que ele possa entrar em sintonia com o Oráculo e receber do Astral a iluminação necessária para o correto aconselhamento e interpretação na hora do jogo.

O estudo do Oráculo é, antes de tudo, um profundo caminho de auto-conhecimento e despertar para a consciência espiritual.

“Conhece-te a ti mesmo e conhecereis o universo e os deuses[1]”.

Araman

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Referências:

AFOLABI, A. Epega & Philip John Neimark. The Sacred Ifa Oracle. 2ª Ed. Athelia-Henrietta Press, 1999;

CAMPBELL, Joseph, 1904-1987. O Poder do Mito / Joseph Campbell, com Bill Moyers; org. por Betty Sue Flowers ; tradução de Carlos Felipe Moisés. -São Paulo: Palas Athena, 1990;

COSTA, Ivan H. (Mestre Itaoman). Ifá: O Orixá do Destino. São Paulo: Ícone;

JUNG, Carl Gustav, 1875-1961. Os arquétipos e o inconsciente coletivo / CG. Jung; [tradução Maria Luíza Appy, Dora Mariana R. Ferreira da Silva]. – Perrópolis, RJ: Vozes, 2000;

OLIVEIRA, Wilian C. (Mestre Obashanan). Teologia Umbandista: Do Movimento à Convergência. São Paulo: Ícone, 2001;

PRANDI, Reginaldo. Ifá o Adivinho. Cia das letras;

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. Cia das letras;

VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. 6ª Ed. Corrupio, 2009;

VERGER, Pierre Fatumbi. Lendas Africanas dos Orixás. 4ª Ed. Corrupio, 1997;

[1] Inscrição que se encontrava à entrada do Santuário de Delfos na Grécia Antiga.

Qualidades de Esú




Meus irmãos de religião, nosso objetivo é trazer informações a cerca de diversos assuntos.


Não podemos aqui falar de um único Axé. 


Não seria



ético afirmar que se trata de material de um ou de outro Axé ou querer apontar um único caminho, presumivelmente correto.


Podem haver diferenças entre o exposto aqui e aquilo que é feito/dito ou praticado no seu Axé. 


Por isso indico que procure se certificar destas informações na sua Casa com seus mais velhos.


O diferente não é errado, só diferente. Axé, Tomeje.


Exu Aflekete: Exu de origem fon que acompanha o Odú Ogbedi.


Exu Àgbá: O ancestral, epíteto referente a sua antiguidade. 

Pai-ancestral (representação coletiva de todos os Exus individuais).


Exu Agabanikpe: Este Exu fica dentro de dois alguidares emborcados.


Exu Agbo: O guardião do sistema divinatório de Orunmila.


Exu Agomeje: Acompanha o Odú Ogundawónrin.


Exu Aiyangi Elufé: É um Exu da Terra Dassá, também chamado Kpoli. 

Acompanha o Odú Oyekuturá.


Exu Ajelé: Este é o Exu de Ogbeyuno que se assenta num jacaré empalhado.


Exu Ajonan: Tinha seu culto forte na antiga região Ijexá.


Exu Akpelejo: Guardião do Odú Ejiogbe.


Exu Akesan: Exerce domínios sobre os comércios. É o que fala pelos Jogos de Ifá; traz as respostas dos Orixás ao Bàbáláwo.


Exu Alagbana: Acompanha o Odú Oturukponbirete.


Exu Alaketu: É o Exu dono do dinheiro, também é um título dado a Exu pelos Ketu da Bahia – Rei do povo Ketu. Veste branco, vermelho e azul escuro. 

Acompanha o Odú Owónrinturá.


Exu Alamibará: Acompanha o Odú Ogbetuá.


Exu Aluwonan: Este é um Exú muito velho e poderoso, é servidor de Segbo Lisa (Obatalá para os fon) e se assenta com uma pedra recolhida numa mata. Acompanha o Odú Ireteunfá.


Exu Arerebi Oke: Acompanha o Odú Ogbewórin.


Exu Ararikoko: Acompanha o Odú Oturawonrin.


Exu Ariwo: Acompanha o Odú Ogundadio.]


Exu Arudá: Acompanha o Odú Oxegundá.


Exu Axikpelu: Acompanha o Odú Ofunyeku.


. Exu Awala Boma: Acompanha o Odú Otura Meji. 

Este Elegbara chegou à Terra ao cair da noite, num pé de seiva.


Exu Bara: O rei do corpo (obá + ara), princípio de vida individual.


Exu Bauwáiye: Acompanha o Odú Oxeyeku.


Exu Beleke: Acompanha o Odú Ogbetuá.


Exu Betimé: Acompanha o Odú Okanranlobe.


Exu Elebó ou Eleru: É o senhor das oferendas, o portador e mensageiro. É sempre o primeiro a ser invocado. Veste preto e vermelho, é o dono do dendê; é ele quem carrega o dendê na peneira.


Exu Elegbára: Senhor do poder.


Exu Eledu: Estabelece seu poder sobre as cinzas, carvão e tudo que foi petrificado.


Exu Elérú: Senhor do transporte do Carrego (Erú).


Exu Elu: Regula o crescimento dos seres diferenciados.


Exu Emere: Este Exu chegou a Terra acompanhado pelo Odú Ogbeyeku, e por Oxumarê.


Exu Enú-Gbárijo: Explicitador de mensagens.


Exu Enúgbanijo: É o dono da boca, aquele que fala e traz as respostas nas consultas ao Oráculo, nessa forma Exu passa a falar em nome de todos os Orixás.


Exu Gbaketa: O terceiro elemento, faz alusão ao domínios do Orixá e ao sistema divinatório.


Exu Gbodé: Este é o Exu que acompanha Egun. Acompanha o Odú Oyeko-Meji.


Exu Gogo:

Este caminho de Exu *Divino Executor*. 


É conhecido também como o Exu responsável peta recompensa divina a todos os atos dos seres humanos (e também dos seres espirituais). 


Exu Gogó conhece todas as nossas reencarnações estende sua ação através destes diversos ciclos encarnatórios. 


Aquilo que costumamos chamar lei do retomo é exatamente a função do exu Gogó fazer este retorno acontecer: O bem recompensado com o bem; o mal recompensado com o mal. 


Dentro destas atribuições de cobrança espiritual e material encontra-se sempre a chance de todos se arrependerem, pagarem por seus erros e tomarem um outro ritmo de vida. 


Quando isto não acontece numa vida, poderá ser resgatado numa próxima encarnação.


Oriki:

EXÚ GOG Ó O, ORI MI MA JE NKO O. EX Ú GOGO O, OR Í MA JE NKO O. EB LOWO RE GOGO? O OKAN LOWO EX Ú GOG Ó BABA AWO. AXÉ.

Tradução:

Divino Mensageiro do Pleno Pagamento guie minha cabeça para o pleno caminho. Divino Mensageiro do Pleno Pagamento guie minha cabeça para o reto caminho. Quanto tu estas pedindo para o Divino Mensageiro do Pleno Pagamento? O Divino Mensageiro do Pleno Pagamento, o Pai do Mistério, está pedindo por um centavo. Que assim seja.


Exu Ikoto: Faz referência ao elemento ikoto que é usado nos assentos esse objeto lembra o movimento que Exu faz quando se move do jeito de um furacão.


Exu Itokí: Este Exu veio à Terra na companhia de Nanã. Acompanha o Odú Oyekuiwori.


Exu Katero: Exu que acompanha o Odú Ogbesá.


Exu do Lodo: Senhor dos rios, função delicada dado a conflitos de elementos.

Exu Laboni: Exu que toca a porta dos Orixás.


Exu Lalu: Exu dos caminhos de Oxalá. Não deve beber cachaça e nem dendê. Veste-se de branco. Vem, também para outros orixás. Tem muitos filhos.


Exu Loko: Por ser assexuado, tende ao masculino simbolizando virilidade e procriação.


Exu Lalu: Acompanha o Odú Ogbetuá.


Exu Laróyè: É astuto e gosta de provocar brigas.


Exu Larufá: Este Exu é assentado num boneco com dois corpos unidos pelas costas, sendo um do sexo masculino e o outro do sexo feminino. Ambos têm que ter os órgãos sexuais muito bem definidos. Acompanha o Odú Oyekubefun.


Exu Lona: É o Exu das porteira dos barracões, vigiando os caminhos. Traz os clientes e a fartura. Usa vermelho, preto e azul arroxeado.


Exu Mabinú: Acompanha o Odú Ikaiwori.


Exu Madubela: Elegba de duas caras que é talhado no cedro e assentado sobre um otá. Acompanha o Odú Ofungundá.


Exu Maleke: Tinha seu culto forte na antiga região Ijexá.


Exu Marabo: Aspecto de Exu onde cumpre o papel de protetor Ma=verdadeiramente, Ra=envolver, bo=guardião. Também chamado de Barabo= esu da proteção, não confundi-lo com seu Marabô da religião Umbandista.


Exu Marimaye: Acompanha o Odú Oyekuturupon.


Exu Mowani:  Acompanha o Odú Owónriowori.


Exu Nangbe: Acompanha o Odú Oxerosun.


Exu Ní: Exu que possui duas caras. Acompanha o Odú Ogbetrupon.


Exu Obá: É o Rei de todos os Exus.


Exu Obakere: Acompanha o Odú Ogbetuá.


Exu Obaranke: Acompanha o Odú Ogbeate.


Exu Obasin-Layê: Este Exu é escravo de Oduduwa e vive dentro de uma cabaça que se coloca dentro de um alguidar.


Exu Odara: Invocado no ritual do padê. Providencia a comida e a bebida a todos, é benéfico, não gosta de bebida alcoólica, aprecia mel e vinho; gosta de branco, mas usa vermelho e preto. É ele quem nos dá a fortuna, aquele que guia (mostra o caminho, vai na frente).


Exu Oduso: Quando faz a função de guardião do jogo de búzios.


Exu Oguiri Oko: Ligado aos caçadores e ao culto de Orunmila Ifá.


Exu Ojìse-ebo: Encarregado e transportador das oferendas, mensageiro.


Exu Olobé: Este Exu é o dono das facas, é ele que separa as frações de substâncias para formar outros seres. Muito semelhante a Ogum Xoroque, anda pelas madrugadas, sempre procurando os profanadores de oferendas postas, sua cor é o azul arroxeado. Ele é o axogun e sacerdote, sacrificador da sociedade das Yámí Àjé.


Exu Olojo: Acompanha o Odú Oturagundá.


Exu Oloni Iyumi: É aquele que vive dentro do jacaré sagrado. Pertence ao Odú Ogbeyonu.


Exu Onan: Referencia aos bons caminhos, a maioria dos terreiros o tem, seu fundamento reza que não pode ser comprado nem ganhado e sim achado por acaso.


Exu Opin:

É o Exu que deve ser evocado sempre que queremos estabelecer um local como sagrado. É ele quem faz a demarcação dos limites que separam o espaço sacralizado do espaço comum. Fazem-se uma construção qualquer e nela queremos instalar os nossos assentamentos de Orixás, além de evocar o exu do nosso caminho pessoal será necessário pedir a Exu Opin que aceite uma oferenda para consagrar o lugar. A partir daquele local deve passar a ser usado exclusivamente para fins religiosos, e deve haver uma separação bem nítida entre este espaço e o espaço livre para a circulação.

No caso de se colocar, por exemplo, um assentamento dentro de casa, é aconselhável colocá-lo sobre uma esteira e, se possível cercar em volta com uma outra esteira. Sempre pedindo a exu Opin para sacralizar o ambiente, não importa a localização ou tamanho. Isto é válido, também, para os ambientes ritualísticos estabelecidos ao ar livre.


Exu Ori Omonifá: Acompanha o Odú Iwori Meji.


Exu Oro: é o responsável pela transmissão do poder através da fala. 


Ele é quem dá para os sacerdotes e sacerdotisas o poder de acionar as forças espirituais através das evocações sagradas: preces, encantações, cânticos.


 Existem algumas palavras de grande axé usadas nos rituais sagrados que muitas vezes não se conhece a tradução. Elas funcionam como códigos para abrir certos portais do mundo Invisível (Orun), acionando o poder para transformar nossas vidas. 


Somente Exu Oro conhece estes segredos, e somente ele pode dar a autorização necessária para entrarmos nestes mistérios.


Oriki: Exu Oro ma ni ko. Exu Oro ma ja ko. Exu Oro Tohun tire site. Exu Oro Ohun Otohun ni ima wa kiri. Axé

Tradução:

O Divino Mensageiro do Poder da Palavra causa confronto. Divino Mensageiro do Poder da Palavra não me cause confronto. O Divino Mensageiro do Poder da Palavra tem a voz do poder. O Divino Mensageiro do Poder da Palavra tem uma voz que ressoa por todo o Universo.

Que assim seja (axé).


Exu Woro: Vem da cidade com o mesmo nome.


Exu Sigidi: Provocador de brigas, Exu diretamente responsável pelo ataque noturno em sonhos e causador de mortes nesse estado. 


Exu Tiriri: Acompanha Ogum pelas estradas. Usa vermelho ou todas as cores. Esta sempre nas porteiras e caminhos. Possui grande força e domina a magia.


Exu Xiki: Exu que acompanha o Odú Ogbesá.


Exu Yangi (Também chamado de Igbáketa Baraketu obá): É o mais velho, a primeira forma a surgir no mundo. 


É o dono do poder dinâmico, do processo de multiplicação dos seres. 


Está ligado tanto ao ancestral masculino como ao feminino. Carrega padoiyran, cabaça da existência que contém a força de se propagar. Companheiro inseparável de Ogum a ponto de serem confundidos. veste branco, vermelho e o azul escuro. Come bichos machos e fêmeas. 


Pedra vermelha de laterita, primeira plataforma existente – água + terra. Conta um Itan que este Exu foi dividido em diversas partes dando origem a outros Exus.


Exu Ygelu: Associado ao wàjí, que representa o fruto da terra e por extensão o mistério oculto da vida e da multiplicação. Dele é o caracol africano. Veste azul arroxeado e as vezes o preto.


Exu Yná: É invocado no ritual do padê. É associado ao fogo e representa a força, simbolizado pelo egan, pelo pássaro e pelo ikodidé, pena vermelha do papagaio odidé.


Exu Wara:

Ele é o Exu que controla os relacionamentos Interpessoais. Ou seja: amizade, sociedade de negados, casamento, companheirismo de trabalho, vinculo familiar, fraternidade religiosa… Enfim, todos os tipos de relacionamentos só possuem um estado de plena compreensão, harmonia e verdadeira colaboração quando aprovados por EXU WARA.

Sempre que se planeja estabelecer um novo vinculo é aconselhável consular Exu Wara e, de preferência, fazer-lhe uma oferenda de apaziguamento, para que tudo possa ocorrer sempre na mais perfeita ordem, sem possibilidades de atrito, confusão, mal-entendidos, etc…

Oriki de Exu WARA:


 FONTE: http://blog.ori.net.br/?p=55#comment-38999




ORÍKÌ ÈSÙ ALAAJE

  ÈSÙ  ALAAJE Èsù alaaje na wa o, Èsù alaaje o. Èsù alaaje na wa ko mi o ire owo, Èsù alaaje o. Ba mi wa iyàwo o, Èsù alaaje o. Ma je orí mi...