domingo, 13 de março de 2022

ORÍKÌ ÈSÙ ALAAJE

 



ÈSÙ  ALAAJE

Èsù alaaje na wa o, Èsù alaaje o. Èsù alaaje na wa ko mi o ire owo, Èsù alaaje o.

Ba mi wa iyàwo o, Èsù alaaje o. Ma je orí mi o baje o, Èsù alaaje o.

Ma je ile mi o daru, Èsù alaaje o.ire gbogbo 

 Ase.

ORÍKÌ   ÈSÙ  ALAAJE

Esta é uma boa sorte, o Mensageiro Divino que traz o dinheiro, Ele traz boa sorte,

Traga-me uma companheira, Esu alaaje. Não estrague minha boa sorte, Esu alaaje

Não traga ruptura para minha casa, Esu alaaje traga-me toda a sorte

 Asé





EXU

Laroyê!

Exu é o mais sutil e o mais astuto de todos os orixás. 

Ele aproveita-se de suas qualidades para provocar mal-entendidos e discussões entre as pessoas ou para preparar-lhes armadilhas. 

Ele pode fazer coisas extraordinárias como, por exemplo, carregar, numa peneira, o óleo que comprou no mercado, sem que este óleo se derrame desse estranho recipiente! 

Exu pode ter matado um pássaro ontem, com uma pedra que jogou hoje! 

Se zanga-se, ele sapateia uma pedra na floresta, e esta pedra põe-se a sangrar! 

Sua cabeça é pontuda e afiada como a lâmina de uma faca. 

Ele nada pode transportar sobre ela. 

Exu pode também ser muito malvado, se as pessoa se esquecem de homenageá-lo. 

É necessário, pois, fazer sempre oferendas a Exu, antes de qualquer outro orixá. 

A segunda-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. 

É bom fazer-lhe oferendas neste dia, de farofa, azeite de dendê, cachaça e um galo preto.


Certa vez, dois amigos de infância, que jamais discutiam, esqueceram-se, numa segunda-feira, de fazer-lhe as oferendas devidas. 

Foram para o campo trabalhar, cada um na sua roça. As terras eram vizinhas, separadas apenas por um estreito canteiro. Exu, zangado pela negligência dos dois amigos, decidiu preparar-lhes um golpe à sua maneira. Ele colocou sobre a cabeça um boné pontudo que era branco do lado direito e vermelho do lado esquerdo. 

Depois, seguiu o canteiro, chegando à altura dos dois trabalhadores amigos e, muito educadamente, cumprimentou -os: "Bom trabalho, meus amigos!" Estes, gentilmente, responderam-lhe: "Bom passeio, nobre estrangeiro!" Assim que Exu afastou-se, o homem que trabalhava no campo à direita, falou para o seu companheiro: "Quem pode ser este personagem de boné branco?" "Seu chapéu era vermelho", respondeu o homem do campo à esquerda. "Não, ele era branco, de um branco de alabastro, o mais belo branco que existe! " "Ele era vermelho, um vermelho escarlate, de fulgor insustentável!" "Ele era branco, tratas-me de mentiroso?" "Ele era vermelho, ou pensas que sou cego?"

Cada um dos amigos tinha razão e estava furioso da desconfiança do outro. Irritados, eles agarraram-se e começaram a bater-se até matarem-se a golpes de enxada. Exu estava vingado! Isto não teria acontecido se as oferendas a Exu não tivessem sido negligenciadas. Pois Exu pode ser o mais benevolente dos orixás se é tratado com consideração e generosidade. 

Há uma maneira hábil de obter um favor de Exu. É preparar-lhe um golpe mais astuto que-aqueles que ele mesmo prepara. Conta-se que Aluman estava desesperado com uma grande seca. Seus campos estavam áridos, a chuva não caía. As rãs choravam de tanta sede e os rios estavam cobertos de folhas mortas, caídas das árvores. Nenhum orixá invocado escutou suas queixas e gemidos. 

Aluman decidiu, então, oferecer a Exu grandes pedaços de carne de bode. Exu comeu com apetite desta excelente oferenda. Só que Aluman havia temperado a carne com um molho muito apimentado. Exu teve sede. Uma sede tão grande que toda a água de todas as jarras que ele tinha em casa, e que tinham, em suas casas, os vizinhos, não foi suficiente para matar sua sede! Exu foi à torneira da chuva e abriu-a sem pena. A chuva caiu. Ela caiu de dia, ela caiu de noite. Ela caiu no dia seguinte e no dia de depois, sem parar. 

Os campos de Aluman tomaram-se verdes. Todos os vizinhos de Aluman cantaram sua glória: ”Joro, jara, joro Aluman, Dono dos dendezeiros, cujos cachos são abundantes! Joro, jara, joro Aluman, Dono dos campos de milho, cujas espigas são pesadas! Joro, jara, joro Aluman, Dono dos campos de feijão, inhame e mandioca! Joro, jara, joro Aluman! ” E as rãzinhas gargarejavam e coaxavam, e o rio corria velozmente para não transbordar! Aluman, reconhecido, ofereceu a Exu carne de bode com o tempero no ponto certo da pimenta. Havia chovido bastante. Mais, seria desastroso! Pois, em todas as coisas, o demais é inimigo do bom.


FONTE:

VERGER,  Pierre Fatumbi. Lendas africanas dos orixás. 4.ed. Salvador: Corrupio, 1997.




IYÌN FUN ÈṢÙ



 

Saudação: Láaróyè! Èṣù láaróyè!

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Yangi kisa sú

   Èṣù Agbá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Onibode kisa sú

   Èṣù Igbá Ketá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Òkòtó kisa sú

   Èṣù Obá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Odàrà kisa sú

   Èṣù Ojiṣé kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Ẹlẹ́rú kisa sú

   Èṣù Enú Gbáríjọ kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Elebárà kisa sú

   Èṣù Bará kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Ọlọná kisa sú

   Èṣù Ọlọbé kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Elebọ́ kisa sú

   Èṣù Àlàfíà kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Odoso kisa sú

   Èṣù Oritá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsù Akesán kisa sú

   Èsù Ijelu kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bó

   Èṣù Iná kisa sú

   Èṣù Oná kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Ajonán kisa sú

   Èṣù Lalú kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Igbàràbó kisa sú

   Èṣù Tìrírì kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Foki kisa sú

   Èṣù Lajiki kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Sijidi kisa sú

   Èṣù Langiri kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èṣù Alé kisa sú

   Èsù Alaketu kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

    Èsù Oro kisa sú

    Èsù Topá kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsù Aríjídì kisa sú

   Èsù Asaná(n) kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsù Loke kisa sú

   Èsù Ijedé kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsù Jiná(n) kisa sú

   Èsù Jiná(n) kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

   Èsú Jeresúy kisa sú

   Èsù Igi Irókò kisa sú

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́



Tradução:


Coro:

E akin olówó bọ́

Èṣù akin olówó bọ́

Adoramos Èsù que é bravo.

Èsù é braço e rico.


Chamadas:

Èṣù Yangi kisa sú

Èṣù Agbá kisa sú

Èsù (...) semeia prodígio.

Èsù (...) semeia prodígio.




Saudação: Láaróyè ! Èṣù láaróyè!



Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Èṣù láaróyè, Èṣù láaróyè

     Iyìn o, iyìn o Èsù n má gbọ̀ o

Èṣù (falar o nome do Èṣù)

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Èsù ọ̀ta òrìṣà

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Oṣètùrá ni l’orukọ bàbá mọ́ ọ́

Alágogo ijà l’orukọ íyá npẹ́ o

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o 

Èṣù Ọ̀dàrà, ọmọkùnrin Idọ́lófin

O lé sónsó sóri ori esẹ̀ ẹlẹ́sẹ̀

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

 Kọ̀ jẹ́ kọ́ jẹ́ ki ẹni njẹ́ gbẹ e mi

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

A kìì lówó lái mu ti Èṣù kúrò

A kìì láyọ̀ lái mu ti Èṣù Kúrò

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

Aṣòntún ṣe òsì làì ní ìtìjú

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

Èsù ápáta somo olómo lénu

O fi okúta dipò iyó

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

Lóògemo òrun a nla kálu

Pàápa-wàrá, a túká máṣe ṣà

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o

Èṣù máṣe mi, omo elómiran ni o sé

Èṣù máse, Èṣù máse, Èṣù máse

     Iyìn o, iyìn o Èṣù n má gbọ̀ o


Èṣù escute o meu louvor!

     Èṣù escute o meu louvor!

Èṣù escute o meu louvor!

     Èṣù escute o meu louvor!

Salve Èṣù! Salve Èṣù!

     Èṣù escute o meu louvor!

Èṣù (falar o nome do Èṣù)

     Èṣù escute o meu louvor!

Èṣù, o primeiro entre os orixás

     Èṣù escute o meu louvor!

Oṣètùrá é o nome pelo qual é chamado pelo pai

Alágogo é o nome pelo qual é chamado pela mãe

     Èṣù escute o meu louvor!

Èṣù bondoso, filho da cidade de Idólófin

De cabeça pontiaguda, está sempre na retaguarda

     Èṣù escute o meu louvor!

Não come e também não permite que comamos

     Èṣù escute o meu louvor!

Quem tem riqueza deve reservar a parte de Èṣù

Quem tem felicidade deve reservar a parte de Èṣù

     Èṣù escute o meu louvor!

Ele fica dos dois lados sem constrangimento

     Èṣù escute o meu louvor!

Montanha de pedra que faz o filho falar o que não quer

Aquele que usa pedra em lugar de sal

     Èṣù escute o meu louvor!

Filho do céu cuja grandeza está em todos os lugares

Aquele que fragmenta o que não se pode nuca mais unir

     Èṣù escute o meu louvor!

Èsù não me faça mal, faça ao filho do outro

Èsù não me faça mal, não me faça mão, não me faça mal

     Èṣù escute o meu louvou!




quinta-feira, 3 de março de 2022

Demonização de Exu

 




Na África na época da colonização europeia, ainda no século XVI, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos colonizadores, devido ao seu estilo irreverente, brincalhão e à forma como é representado no culto africano. 

Por ser provocador, indecente, astucioso e sensual, é comumente confundido com a figura de Satanás, o que é um equívoco, de acordo com a construção teológica iorubá, posto que não está em oposição a Deus, muito menos é considerado uma personificação do mal.
Mesmo porque, nessa religião, não existem diabos ou entidades encarregadas única e exclusivamente de coisas ruins, como ocorre no cristianismo, segundo o qual tudo o que acontece de errado é culpa de um único ser que foi expulso por Deus. Na mitologia iorubá, porém, assim como no candomblé, cada uma das Divindades (Orixás) tem sua porção positiva e negativa assim como o próprio ser humano.
Desde a época das primeiras traduções inglesas de palavras iorubá em meados do século XIX, Èṣù foi traduzido como "diabo" ou "satã".
 O primeiro exemplo conhecido disso veio do "Vocabulary of the Yoruba" de Samuel Ajayi Crowther (1842), onde suas entradas para "Satanás" e "Diabo" tinham Exu em inglês. Dicionários subsequentes ao longo dos anos seguiram o exemplo, permeando a cultura popular e as sociedades iorubá também. Ultimamente, muitas campanhas online foram criadas para protestar contra isso, e muitos ativistas trabalharam para corrigi-lo.
 Também houve um grande número de trabalhos acadêmicos examinando o erro de tradução.[19][20] A tradução no Google Tradutor assumiu os mesmos erros de tradução anteriores. Isso levou a uma série de campanhas on-line[21] até 2016, quando o linguista e escritor nigeriano Kola Tubosun, então funcionário do Google, mudou pela primeira vez para conotações menos depreciativas. Quando as alterações foram revertidas, ele as alterou novamente em 2019.
 A tradução de Èṣù para o inglês agora permanece "Èṣù", enquanto "diabo" e "satan" são traduzidos para "bìlísì" e "sàtánì", respectivamente.
"Sobre Exu, além de suas atribuições mais conhecidas, embrenhamo-nos em uma de suas mais complexas e poderosas qualidades – como O Guardião do Axé – que, recebendo a réplica desta força neutra de Olodumarê (Fálàdé, 1998, p. 494), coloca-a à disposição de todos, seja para os homens ou para os orixás, confirmando que Exu de mal ...., nada tem ...,mas ao contrário, apenas age com justiça.
Suas ações para com os seres humanos são altamente benéficas, auxiliadoras e produtivas para aqueles que fazem uso adequado de seu livre-arbítrio e que, com retidão, se portam de maneira condigna para com os princípios e padrões morais e religiosos, seja em relação a si mesmo, seja em relação ao meio ambiente em que vive.
Recordando uma frase citada: "(...) Isto acontece por que algumas pessoas erroneamente possuem a convicção que Eṣu é o opositor Satanás (Fálàdé, 1998, p. 493)" e que, além disso, o que faz com que os sacerdotes sejam bons ou maus não é o simples fato de administrar o Axé, e sim a forma que deliberadamente usam este Axé, podemos dizer que isto é uma questão humana de caráter, e nada tem a ver com o poder divino do Axé. O que podemos dizer de Exu, que recebeu e administra a cópia do próprio Àṣẹ de Olódùmarè? Exu é igualmente neutro como o próprio Axé, por isso é o guardião do Axé.
Como Odará recebe, como Elebará, faz acontecer, e como Ojixé (Òjíṣé). conduz o retorno. Tudo isso é "Exu – Olodumarê assim determinou." (Abimbola, 1975, p. 3). 
Será que ele é tão terrível e mau quanto querem dele fazer? Como ele pode ser tão temível se é tão neutro como o Axé? Quando narramos o Odù Iwori-Ofun (Bascom, 1969, pp. 310-311), vimos que simplesmente Exu cumpriu seus desígnios de forma imparcial.
As explanações aqui realizada efetivamente enalteceram Exu, porém, cabe tecer algumas considerações sobre a absurda questão, mesmo por sincretismo, de que o Exu seja o diabo das religiões cristãs e/ou o mal absoluto tratado pelas religiões ocidentais, que diferem totalmente dos conceitos da religião dos orixás (orixaísmo) (Barretti Fº, 2010), praticada na chamada Iorubalândia e nas descendentes da diáspora.
Que fique registrado que a religião dos prixás, praticada em qualquer parte do mundo, independentemente do nome regional adotado, respeita, mas não reconhece a Bíblia como uma de suas diretrizes sagradas, tampouco o Alcorão e a Torá. Para os orixaístas, trata-se apenas de livros religiosos, assim como tantos outros.
O orixaísmo oriundo da tradição oral, portanto ágrafa, apesar de já contar com muitos escritos, reconhece apenas a "oralidade" dos Itã-Odu, os Itã-Mimo- Oxá (Ìtán-Mimó Òòṣà; histórias sagradas dos orixás) como o único "livro ou fala sagrada" a serem adotadas e que também reconhece os ditames do corpo "literário" do oráculo de Ifá, os Odu Ifá, cujo governo pertence à divindade Orumilá, portador de imensa sabedoria e conhecido como Ibiqueji Olodumarê (Ibìkejì Olódùmarè; a segunda pessoa de Olodumarê).

Conceitos religiosos europeus e asiáticos não faziam parte das tradições iorubás antes das colonizações, nem das religiões dela descendentes na diáspora, tampouco antes dos senhores de escravos imporem aos africanos o catolicismo, entre outras religiões.

As formas deturpadas, aculturadas e sincréticas que impuseram e continuam a se impor à religião, nos dias de hoje, foram e ainda o são, os maus frutos decorrentes do processo da escravatura nas Américas e das colonizações europeias impostas a povos africanos. (Conferir em: "Os Clérigos Nativos Yorùbá.")

Conceitos cristãos como os de alma, céu, inferno e purgatório encontraram terreno fértil para se propagar nas já contaminadas tradições iorubás e de suas descendentes, seja por missionários, seja por agentes governamentais e seja por autores pertencentes a outras culturas e/ou crenças que registraram as tradições, os costumes e religião dos iorubás, escritos e interpretados pela ótica do colonizador e/ou opressor. 

E o pior, os registros decorrentes dessas interpretações (que até hoje continuam) criaram "falsas" tradições, que se tornaram "verdades literárias inquestionáveis" e vitimam a religião iorubá até hoje. (Conferir em: Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu – Os Autores)
Um fato muito importante e que deveria ser totalmente condenável é que sempre que se estuda ou se faz pesquisa no campo das religiões comparadas, os parâmetros e os referenciais são sempre os do cristianismo, islamismo e outras religiões aplicados à religião tradicional dos iorubás. 

A recíproca, infelizmente, nunca é verdadeira, pois, se assim o fosse, teríamos inúmeras e novas variáveis a serem avaliadas, para o bem da religião tradicional iorubá e de suas descendentes." (Barretti Fº, 2010, pp. 132-133)




Bibliografia

«African intellectual heritage». Por Molefi K. Asante, Abu Shardow Abarry Publicado por Temple University Press, 1996 ISBN 1-56639-403-1

«Notas sobre o culto aos orixás e voduns na Bahia de Todos os Santos e na antiga costa dos escravos na África». Por Pierre Verger Publicado por EdUSP, 1999 ISBN 85-314-0475-4

«Africa Por Phyllis Martin, Patrick O'Meara». Publicado por Indiana University Press, 1995 ISBN 0-253-20984-6

«Eleggua-Eshu em Cuba»

ORÍKÌ ÈSÙ ALAAJE

  ÈSÙ  ALAAJE Èsù alaaje na wa o, Èsù alaaje o. Èsù alaaje na wa ko mi o ire owo, Èsù alaaje o. Ba mi wa iyàwo o, Èsù alaaje o. Ma je orí mi...